Recuperando uma velhinha tradição aqui no blog, damos início a mais uma semana com um novo som. A escolha recai sobre uma música do álbum de tributo a Carlos Paredes, uma das minhas músicas preferidas.
Uma música que me relembra um período da minha vida que foi muito importante para mim. De luz, de calor, paixão e sentimento. O mesmo que significava a guitarra para o velho Mestre.
Uma recordação de um EU que em tempos sonhou naquilo, ainda que fosse impossível, pensou um dia que seria possível.
Tocas as flores murchas que alguém te ofereceu quando o rio parou de correr e a noite foi tão luminosa quanto a mota que falhou a curva - e o serviço postal não funcionou no dia seguinte
procuras ávido aquilo que o mar não devorou e passas a língua na cola dos selos lambidos por assassinos - e a tua mão segurando a faca cujo gume possui a fatalidade do sangue contaminado dos amantes ocasionais - nada a fazer
irás sozinho vida dentro os braços estendidos como se entrasses na água o corpo num arco de pedra tenso simulando a casa onde me abrigo do mortal brilho do meio-dia
Acordar Tarde, Al Berto
Entre tanto que queria escrever, nada consigo sentir. Tudo se esvaziou em mim, naquele momento… Talvez por isso estas palavras façam hoje muito sentido, ainda que me tenha apercebido demasiado tarde de que realmente se tratava de uma vida que não a minha, sentida por dois corpos desconhecidos, que se amaram por breves tempos.
My eyes have seen you My eyes have seen you My eyes have seen you Stand in your door When we meet inside Show me some more Show me some more Show me some more
My eyes have seen you My eyes have seen you My eyes have seen you Turn and stare Fix your hair Move upstairs Move upstairs Move upstairs
My eyes have seen you My eyes have seen you My eyes have seen you Free from disguise Gazing on a city under Television skies Television skies Television skies
My eyes have seen you My eyes have seen you Eyes have seen you Let them photograph your soul Memorize your alleys On an endless roll Endless roll…
My Eyes Have Seen You, The Doors
***
" Negar as trevas da alma é ser só metade de um ser humano ", Ray Manzarek
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Ainda a viver num ténue equilíbrio entre a luz e as trevas…
" Love hurts. Feelings are disturbing. People are taught that pain is evil and dangerous. How can they deal with love if they’re afraid to feel? ", Jim Morrison
Juntos atravessaram o rio, como tantas vezes já o haviam feito… Palavras trocadas há breves minutos ecoavam ainda na sua mente… Hesitou por breves instantes… Conhecia a dor demasiado bem mas… Naquele momento decidiu não mais ignorar o que sentia… Beijou-a… Outra vez.. E outra… E ainda outra… Aquele sorriso especial que sabia ser só seu… O brilhozinho nos olhos de que fala a canção… Tudo.. Estava ali tudo o que podia querer… Ainda assim, despediu-se e regressou a Lisboa… A dor e o medo de voltar a sentir tinham desaparecido… Perdidos algures na outra margem do Tejo…
Cruzamos o olhar. Não era inocente. O jantar passou e entramos na noite. Passei a mão pelos teus cabelos escuros enquanto tu olhavas para lá do fim, para lá do horizonte. Deslizei os meus dedos pelo teu pescoço, abraçando-o com as minhas mãos. Passei os meus lábios pela tua face e deixei-me inebriar pela mescla de odores que o teu corpo emanava. O doce aroma a maçã, juntamente com o salgado do sexo.
Beijo-te. Deixo que as minhas mãos percorram novamente os teus contornos, fazendo um esboço a carvão na minha cabeça, como se fosse uma folha já gasta. Nús, entrelaçados, deixamos a paixão consumir-nos as forças. No chão, na cama, contra a parede. Libertámo-nos de tudo o que nos lembrava das nossas vidas. Deixámos de ser tu e eu.
E a noite passou…
De manhã, enquanto dormias, eu olhava por aquela mesma janela e via a vida que lá em baixo acontecia. Eu… fechava-me novamente, isolando-me de ti e de tudo o resto. Modificava-me como um camaleão. A isto devo quem por último aqui passou. Quem me libertou uma paixão desmesurada, para logo a seguir a matar.
Já não sou o mesmo.
Visto-me, como se ali não estivesse, para te deixar perdida nos sonhos do teu sono. Antes de sair, deixo-te um beijo e digo em silêncio "Adeus". Saio para a rua e perco-me na multidão. Permaneço imóvel aos outros olhares, apenas pensando em mais um dia que irá passar.
Sou apenas mais um… quando acordares já não existirei. Prefiro assim… esta dor é mais fácil de suportar.
When routine bites hard, and ambitions are low And resentment rides high, but emotions won’t grow And we’re changing our ways, taking different roads Then love, love will tear us apart again
Why is the bedroom so cold? You’ve turned away on your side Is my timing that flawed - our respect run so dry? Yet there’s still this appeal that we’ve kept through our lives Love, love will tear us apart again
You cry out in your sleep - all my failings expose There’s a taste in my mouth, as desperation takes hold Just that something so good just can’t function no more When love, love will tear us apart again
I hurt myself today To see if I still feel I focus on the pain The only thing that’s real The needle tears a hold The old familiar sting Try to kill it all away But I remember everything
What have I become My sweetest friend Everyone I know goes away In the end And you could have it all My empire of dirt I will let you down I will make you hurt
I wear this crown of thorns Upon my liar’s chair Full of broken thoughts I cannot repair Beneath the stains of time The feelings disappear You are someone else I am still right here
What have I become My ssweetest friend Everyone I know goes away In the end And you could have it all My empire of dirt I will let you down I will make you hurt
If I could start again A million miles away I would keep myself I would find a way
Hurt - Johnny Cash ( Originally By Nine Inch Nails )
A música que me tem acompanhado nos últimos dias por razões que a própria razão desconhece…
Este é o dia em que nos lembramos da nossa cara-metade, em que temos uma atenção especial com ela. Mas será que deveria ser assim? Ou será que essa mesma atenção deveria acontecer espontaneamente? Num qualquer dia do ano? ou em quase todos os dias do ano??
O que é que será que torna este dia tão especial?? O que é que faz com que este dia seja considerado diferente??
Nunca deveria ser necessário termos de nos esforçar para agradar a "outra pessoa". Devia ser natural e espontâneo. Acredito que é na surpresa que está a chama que mantém uma paixão ou um amor ao fim de muito tempo. Por senão, a relação cai numa rotina tornando-a obsoleta.
Pessoalmente, nunca dei muita importância a este dia. Mas posso estar errado e afinal o "dia dos namorados" ser uma data importante, mas para mim quem acredita nisso, vive então uma ilusão.
Existe uma teoria (baseada numa investigação médica) que diz que a paixão numa relação apenas dura durante os 3 primeiros anos da relação. Talvez seja por isso que relações longas, tenham tendência a acabar. A tal rotina acaba por ter os seus efeitos.
Porque não devemos apenas celebrar uma relação num único dia do ano. Devemos viver essa relação, todos os dias, mostrando à nossa cara-metade, o quanto ela é especial para nós.
Mas provavelmente, eu não sei do que falo…
Dark Shot
PS: fica esta música como o som da semana para todos os apaixonados e para todos aqueles que sentem que têm aquilo que querem.
All this feels strange and untrue And I won’t waste a minute without you My bones ache, my skin feels cold And I’m getting so tired and so old
The anger swells in my guts And I won’t feel these slices and cuts I want so much to open your eyes ‘Cause I need you to look into mine
Tell me that you’ll open your eyes [x4]
Get up, get out, get away from these liars ‘Cause they don’t get your soul or your fire Take my hand, knot your fingers through mine And we’ll walk from this dark room for the last time
Every minute from this minute now We can do what we like anywhere I want so much to open your eyes ‘Cause I need you to look into mine
Tell me that you’ll open your eyes [x8]
All this feels strange and untrue And I won’t waste a minute without you
Open Your Eyes - Snow Patrol
Fica o som para mais uma semana que vai ser passada em Leiria.
Longe de Lisboa, longe de tudo e de todos, mas principalmente longe de ti…
Shooter
PS: contaram-me que um artigo publicado na Cosmo referia este album como ideal para uma conversa pós-orgásmica. A veracidade deste artigo será oportunamente comprovada Para já, a sonoridade, as letras e a capa do album estão aprovadas…
Uma destas tardes em que estava a estudar no café, a determinada altura passa o clip de uma música dos “White Snake” na Tv. Não pude deixar de rir, ao ver o estilo que a malta na altura apresentava: cabelo comprimido, calças de couro justas, camisas com o colarinho aberto, fios de ouro a fazer lembrar os “nossos machos latinos com os pêlos do peito à mostra” e outras cenas assim. Comparando esta moda com os dias de hoje só posso mesmo pensar: ainda bem que não passei a minha adolescência nos anos 80!
A música desde então mudou e muito. Para melhor. O som da semana com Deftones com umas das melhores músicas. Boa semana a todos.
Change around the words that you say, to suit me fine.
Predictable behavior I crave ya I’m driving y’all My own is living save yeah, Sometimes I hate ya But I’m whipped Being gone ? head down to the crypt Restricted like a conscript You loved to bully I placed the blame with you Fully…
Change around the words that you say, to suit me fine. Make them mine…
Don’t panic There is only we too left on the planet I can explain.. I know it happened again, It’s manic I’m standing in the flame, trying to fan it You don’t know what you’ve got till it’s gone And by the edge of the night, You nobody belong thru this ad joint. And that’s what you cut. And that’s what you cut.
Change around the words that you say, to suit me fine. Make them mine… Listen to the voice of your head, It makes no sense, Take a rest…
I’m addicted..
I have a demon for a wife He delights in your pretty face and he hates my life Takes notes on how to provoke past grief Makes my teeth decay with the last of my self believe Feed all day from underneath Like a fief, I left weak, barely able to speak I seek nothing but constant supply I can read every look in your eyes I leave with a lie Maybe our love will never die Or, maybe it’s the last time I make you cry Make my appeal like the condemned. Let’s go away for the weekend Your life I will steal and descend with it into the pig.
I’m addicted..
Change around the words that you say, to suit me fine.
I’m addicted..
Listen to the voice of your head, It makes no sense.. Take a rest…
I’m addicted.. I’m addicted.. I’m addicted.. I’m addicted.. I’m addicted.. I have a little problem I have a demon for a wife He delights in your pretty face and he hates my life Takes notes on how to provoke past grief Makes my teeth decay with the last of my self believe
Change around the words that you say, to suit me fine. Make them mine…
Porque hoje é Natal. Natal… o que é que significa a palavra? o momento? Se fizermos essas perguntas, as respostas serão algumas coincidentes e outras completamente distintas. No fim, depende de cada um e do modo como cada um vive este momento do ano.
Eu continuo a preferir pensar naquelas imagens de Natal, onde cai neve, tudo está branco, a lareira acesa e a família toda reunida. Daí uma das razões para a escolha desta música de Natal de Nat King Cole.
Mas lá está, isto são apenas condicionalismos criados por imagens vistas na tv ou nalgum livro. Para mim hoje em dia, o Natal, passa mais pelas brincadeiras e partidas que possa ter com os meus sobrinhos e por aquele momento em que me ausento e tiro algum tempo para reflectir em mais um ano que se passou.
E que ano…
E para vocês? Como é que é o Natal? Como é que gostavam realmente de passar um Natal? Confesso, ainda conseguirei um dia ir a Nova York por esta altura… deve ser interessante.
E porque é Natal, todos sonhamos sempre com algo diferente…
Oh, can’t anybody see, We’ve got a war to fight, Never found our way, Regardless of what they say.
How can it feel, this wrong, From this moment, How can it feel, this wrong.
Storm, In the morning light, I feel, No more can I say, Frozen to myself.
I got nobody on my side, And surely that ain’t right, Surely that ain’t right.
Oh, can’t anybody see, We’ve got a war to fight, Never found our way, Regardless of what they say.
How can it feel, this wrong, From this moment, How can it feel, this wrong.
How can it feel this wrong, From this moment, How can it feel, this wrong.
Oh, can’t anybody see, We’ve got a war to fight, Never found our way, Regardless of what they say.
How can it feel, this wrong, From this moment, How can it feel, this wrong.
Roads - Portishead
Era o final de mais um dia. Mais um dia cinzento igual a tantos outros.
Como vinha sendo hábito, dirigia-se a casa na companhia dos já costumeiros pingos de chuva. "Chuva de Novembro" pensava, lembrando-se do famoso hino dos eternos Guns N’ Roses.
O telefone interrompeu tal pensamento em boa hora. Do outro lado, uma voz doce. " Olá! Ainda estás aqui por perto? Vamos beber um copo? "
Aceitou, claro. Como poderia recusar tal convite?…
O local escolhido trazia-lhe à memória outras conversas e outros convites bem recentes. Ainda assim, entrou sem hesitações.
Embalados pelo excelente som que os rodeava as palavras não custaram a sair. Roads foi uma das músicas que ouviram quase em loop.
Revelações de um passado já distante. Confissões entre olhares cumplices. Histórias em tudo iguais. Os ciumes, a obsessão, o final… Caminhos semelhantes percorridos e deixados para trás. De vez…
Ela parece-lhe cada vez mais perfeita…
Pelo meio, uma frase que não mais o abandonou. "Cada vez mais tenho a certeza que és realmente diferente".
É impossível ignorar os sinais. E começa a tornar-se muito difícil resistir. Até quando conseguirá conter tanto desejo?…
Há 11 anos atrás dois putos decidiram criar uma banda. Curtiam tocar guitarra, perder horas a fio a inventar músicas. Convidaram mais 3 amigos. Reuniram-se passado 1 mês numa garagem cheia de pó.
Influenciados por estilos de música tão diferentes como o Jazz, Metal, Pop, Clássica, Grunge começaram a encontrar-se semanalmente para compor e tocar música apenas para descontrair.
Muitas das vezes os ensaios eram apenas improvisações de duas e três horas de algumas músicas que já tinham. Outras vezes tocavam músicas de outros grupos… O som era tão intenso, que dava para se esquecerem de tudo e simplesmente curtir aquelas horas.
Num desses dias, o pai de um deles chega no fim do ensaio e ouve a última música que tocavam. Nada a que estivesse habituado. A frase que disse, ficou para sempre.
Para trás ficam os litros de "Seven Up", os kilos de "Oreos" e o caixote do lixo, atestado de maços de Camel que um deles fumava, as jantaradas, os copos, as bebedeiras…
Ainda hoje se encontram de tempos em tempos, para tocar umas notas. Cresceu a amizade que existia entre os 5.
Dark Shot
Edit: a música que estava a ser tocada era "Even Flow" dos Pearl Jam.
Não pelo conteúdo em si, mas pela atitude perante muito do que se passa à nossa volta. Passo a explicar.
Politicamente incorrecto, estranho, rebelde, herege, do contra, anarquista, diferente… Todas elas expressões que estou habituado a ouvir diariamente.
Hoje apercebi-me mais uma vez que sou mesmo assim! E pior, que gosto mesmo de ser!
Será influência deste album potentíssimo? LOLOL Claro que não, sempre fui assim!
A escolha da semana é When The Sun Goes Down do album Whatever People Say I Am That’s What I’m Not de Artic Monkeys. Um album cheio de grandes guitarradas, bateria potente e rebeldia q.b., que inclui talvez a música com o título mais longo de sempre: You Probably Couldn’t See For The Lights But You Were Staring Straight At Me. Só mesmo comparável à eterna Elderly Woman Behind The Counter In A Small Town de Pearl Jam :)
Ora bem, dia de nova música. Como não costuma passar muito som nacional aqui no spot, a minha escolha para esta semana recai em Pluto. Muito bom sem dúvida, mas não se comparam aos Ornatos Violeta. Ficamos a perder… é a vida. De qualquer modo o objectivo é ajudar na divulgação do som nacional, tal como podem ver no cartoon em baixo.
Boa semana a todos e tudo a ouvir música nacional.
in Académico (jornal da Associação da mui nobre Universidade do Minho)
Dark Shot
PS: Os autores do blog avisam que nesta coisa de música nacional não se encontra englobada a dita "pimba". Isso é música estrangeira… Fica a nota!
Whatsoever I’ve feared has Come to life Whatsoever I’ve fought off Became my life Just when everyday Seemed to greet Me with a smile Sunspots have faded And now I’m doing time Cause I fell on Black days
Whomsoever I’ve cured I’ve sickened now Whomsoever I’ve cradled I’ve put you down I’m a search light soul They say but I can’t See it in the night I’m only faking When I get it right Cause I fell on Black days How would I know That this could be my fate
So what you wanted to See good has made you blind And what you wanted to Be yours has made it Mine So don’t you lock up Something that you Wanted to see fly Hands are for shaking No not tying
I sure don’t Mind a change But I fell on black Days How would I know That this could be My fate
Fell On Black Days - Soundgarden
A escolha era óbvia para esta semana, depois de um reencontro com dias negros…
Porquê? Deixarmos chegar até aqui… não nos valeu de nada. Afastamo-nos mutuamente. Esquecemos o passado, o que ele tinha significado e fomos seguindo caminhos cada vez mais distantes. E agora?
Teremos nós ainda algo a reaver? Sinceramente não sei. Nuns momentos sinto-me tão certo do que penso e das decisões que tomo… para depois mais tarde ver que afinal estava errado.
Porque é que teve de ser assim? Afinal, o que se passou foi mais do que um momento… foi uma marca que ficou e que nunca irá sarar.
When you try your best, but you don’t succeed When you get what you want, but not what you need When you feel so tired, but you can’t sleep Stuck in reverse When the tears come streaming down your face When you lose something you can’t replace When you love someone, but it goes to waste Could it be worse?
Lights will guide you home And ignite your bones And I will try to fix you
High up above or down below When you’re too in love to let it go If you never try you’ll never know Just what you’re worth
Lights will guide you home And ignite your bones And I will try to fix you
Tears stream down your face When you lose something you cannot replace Tears stream down your face And I…
Tears stream down on your face I promise you I will learn from the mistakes Tears stream down your face And I…
Lights will guide you home And ignite your bones And I will try to fix you
A gas lit scent on the garden of haze The excitement from the dawning is leading the way, tonight
I wish to crash, so fire would give me wings Time flies with me Mist stardust joins the lust The down set is tonight
Blow me away I might undercover my downfall delight Tonight I’m blowing away
Picture yourself lying on the ground Licking wounds on glass I’ll be, tonight On the egde of the blade ‘Cause I die where safe-standing lives The down set is tonight
Blow me away I might undercover my downfall delight Tonight I’m blowing away I keep driving The down set is tonight To my delight To blow away tonight
O Som da semana: Blind Zero com Jorge Palma, The Down Set Is Tonight.
" I wish to crash, so fire would give me wings "…
Porque parte da génese reside na própria destruição…
Hoje passei por ti. Pela 1ª vez ao fim de um ano, vi-te. Nem parece que já se passou assim tanto tempo. A única coisa que me faltava saber, aconteceu por fim. O tempo é assim, encarrega-se de tudo.
Vi-te num sítio onde menos esperava ver-te. Não me viste. Estavas na mesma.
Mas o mais importante para mim foi como eu reagi à tua imagem, como eu me senti. Nada. Vazio. Senti-me oco por dentro quando te vi. Pensava que 7 anos da minha vida contigo ainda poderiam ter algum efeito quanto te visse. Mas não. Não senti rigorosamente nada. Boas recordações terei sempre, mas depois do que se passou…
Para mim o mais incrível, foi que naquele momento em que te vi, apenas pensava noutra pessoa… e na última noite que estive com ela. Quando ia pela auto-estrada, e ela se encostou a mim e me deu a mão…
Pensava que depois de ti, como tu não conheceria outra pessoa. Outra pessoa que me fizesse sentir tão bem com a vida, pelo gosto de vivê-la. Afinal, como mais tarde percebi, estava enganado.
No meu caminho de regresso a casa, vinha a ouvir esta música. Apenas me recordava vezes sem conta daquele curto momento, em que vinha do Forte de São Julião da Barra e a vinha trazer a casa. A despedida.
A sua mão na minha, a cabeça encostada ao meu ombro. O seu aroma, o seu toque, o calor da sua pele e o que para trás ficava. A intensidade e o sabor de uma paixão clandestina, impossível de ser vivida.
Sabes? Tê-la conhecido foi das melhores coisas que pude ter na minha vida. Afinal demonstrou-me que por vezes as maiores surpresas, acontecem nos momentos mais difíceis. Era apenas nela que pensava enquanto te via, era ela que eu recordava, enquanto ficavas para trás. É dela de quem eu sinto falta.
Quem não se lembra desta música dos eternos The Cult? Quanto mais não seja porque fazia parte do genérico de um daqueles programas sobre desportos radicais que nos acompanharam ( pelo menos a mim ) na adolescência!
Só para quem não se lembra, este tema saiu originalmente em 1985 no grande album Love, que foi remasterizado e reeditado cá em Portugal há uns meses.
Tive oportunidade de ver os senhores por cá este ano no SuperBock e os "velhinhos" mantêm aquela energia! Fez-lhes bem a pausa! She Sells Sanctuary foi mesmo o tema com que fecharam a excelente passagem por cá.
Só para verem como são velhinhos ( diriam as más línguas que pararam no tempo ), o vocalista, numa tentativa de aquecer o público ( e notem que isto foi ainda antes do mundial da Alemanha ) decidiu passar grande parte do concerto a gritar "Figo!". Pensei eu: "Ó amigo, a cena agora é mesmo Cristiano Ronaldo ". O que é certo é que o Figo foi o nosso melhor jogador lá, e o "velhote" afinal tinha razão…
Adiante, o som dos Cult continua a ser brutal e aqui fica, para recordar aqueles dias de Verão!
A escolha do som da semana, podia e talvez devesse ser algo dos Pearl Jam. Como tivemos ontem naquele fantástico concerto, seria uma escolha porreira. Mas a minha escolha para esta semana, recai mais uma vez sobre o excelente som que encontro em Café Del Mar, Volume 7. Principalmente pelo que se passou ontem. Pelo que a tarde de ontem significou e pelo fim que com ela veio. Porque por vezes precisamos de algo calmo. Porque por vezes simplesmente…
Em parte, também deixo a música que escolho ( e isto é apenas uma excepção) para a Suspiros. Por causa de um post dela que li e que me deixou pensativo.
A heart of stone, a smoking gun I can give you life, I can take it away A heart of stone, a smoking gun I’m working it out Why’d you feel so underrated? Why’d you feel so negated?
Turning away from the light Becoming adult Turning into my soul I wanted to bite not destroy To feel her underneath Turning into the light
She don’t think straight She’s got such a dirty mind and it never ever stops And you don’t taste like her and you never ever will And we don’t read the papers, we don’t read the news Heaven’s never enough, we will never be fooled
Turning away from the light Becoming adult Turning into my soul I wanted to bite not destroy To feel her underneath Turning into the light
And if you feel a little left behind I will see you on the other side
‘Cause I’m on fire I’m on fire when you come I’m on fire so stub me out
Bloc Party - Banquet
O Verão não terminou ( ah pois não! ), ainda há muito para curtir!
Como o blog vai parar para férias dos autores, a música escolhida para esta semana é de Moby. O tema lembra férias, sair para recarregar baterias!
Aproveito então para desejar um bom final de Agosto para os que já trabalham e para os que agora vão de férias que estes sejam excelentes dias!
Por mim, espero estar na próxima semana a curtir a noite do sul de Espanha juntamente com o Shooter, mais uns amigos e amigas! Voltamos em força em Setembro!