
Créditos de Vincent Teuliére
Sinto falta da paixão de escrever. Do sentimento latente na pele, dos sons que ecoavam nas sombras da minha mente. Sinto falta do desejo crescente das palavras que escrevia, para expressar uma saudade, um querer, uma vontade que me alimentava a alma.
Sinto falta dos meus sentidos, traduzidos em palavras. Percorro caminhos intermináveis nos corredores da minha mente, nos becos das minha memórias, iluminados por luzes de néon intermitentes consumidas por momentos esquecidos e poucas vezes recordados.
Procuro por um futuro que se adivinha tarde, numa latência ténue de uma vida. Sinto um crescente ardor por palavras que teimam em não sair, apenas porque acabariam por bater numa parede de silêncio. Na minha.
Conheço as poucas respostas para as muitas perguntas que podia escrever. Nenhuma me acalma, nenhuma me satisfaz. Anseio por algo que me parece completamente inalcansável e inatingível. Sinto o calor ardente duma vontade contida, porque não existem palavras que pudesse escrever. Nunca dariam continuidade a algo que já não existe.
Sempre escrevi, ainda que muitas vezes tenha mantido segredo durante tanto tempo, para o resto do mundo. Agora deixei de sentir essa vontade, apenas porque perdi. Perdi o momento, perdi a inspiração.
Sinto falta, de querer escrever, do querer ler. Sinto falta de gritar em silêncio, de sentir a revolta que crescia em mim a cada palavra que escrevia, por ter paixão, apenas por sentir…
Sinto falta das conversas. Sinto falta das palavras.
Dark Shot
