May 11, 2007

Perhaps in another life

                       Fotografia de Rui Vale de Sousa @1000imagens

Tocas as flores murchas que alguém te ofereceu
quando o rio parou de correr e a noite
foi tão luminosa quanto a mota que falhou
a curva - e o serviço postal não funcionou
no dia seguinte

procuras ávido aquilo que o mar não devorou
e passas a língua na cola dos selos lambidos
por assassinos - e a tua mão segurando a faca
cujo gume possui a fatalidade do sangue contaminado
dos amantes ocasionais - nada a fazer

irás sozinho vida dentro
os braços estendidos como se entrasses na água
o corpo num arco de pedra tenso simulando
a casa
onde me abrigo do mortal brilho do meio-dia

Acordar Tarde, Al Berto

Entre tanto que queria escrever, nada consigo sentir. Tudo se esvaziou em mim, naquele momento… Talvez por isso estas palavras façam hoje muito sentido, ainda que me tenha apercebido demasiado tarde de que realmente se tratava de uma vida que não a minha, sentida por dois corpos desconhecidos, que se amaram por breves tempos.

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