October 29, 2006

Proibido

Filed under: Conversas da treta

Imagine there’s no heaven
It’s easy if you try
No hell below us
Above us only sky
Imagine all the people
Living for today…

Imagine there’s no countries
It isn’t hard to do
Nothing to kill or die for
And no religion too
Imagine all the people
Living life in peace…

You may say I’m a dreamer
But I’m not the only one
I hope someday you’ll join us
And the world will be as one

Imagine no possessions
I wonder if you can
No need for greed or hunger
A brotherhood of man
Imagine all the people
Sharing all the world…

You may say I’m a dreamer
But I’m not the only one

I hope someday you’ll join us
And the world will live as one
I hope someday you’ll join us
And the world will live as one

Imagine, Imagine, John Lennon (1971)

Imagine, Emotive, Perfect Circle (2006)

Dark Shot

Edit (31-10-2006):

Quando escrevi o post esqueci-me de colocar isto: A Humanidade não é um estado a que se ascenda. É uma Dignidade que se conquista.”

Jean Vercors, escritor francês (1902-1991)

October 25, 2006

Whatever People Say I Am, That’s What I’m Not

Filed under: Som da semana

O título não podia ser mais adequado!

Não pelo conteúdo em si, mas pela atitude perante muito do que se passa à nossa volta. Passo a explicar.

Politicamente incorrecto, estranho, rebelde, herege, do contra, anarquista, diferente… Todas elas expressões que estou habituado a ouvir diariamente.

Hoje apercebi-me mais uma vez que sou mesmo assim! E pior, que gosto mesmo de ser!

Será influência deste album potentíssimo? LOLOL Claro que não, sempre fui assim! :)

A escolha da semana é When The Sun Goes Down do album Whatever People Say I Am That’s What I’m Not de  Artic Monkeys. Um album cheio de grandes guitarradas, bateria potente e rebeldia q.b., que inclui talvez a música com o título mais longo de sempre: You Probably Couldn’t See For The Lights But You Were Staring Straight At Me. Só mesmo comparável à eterna Elderly Woman Behind The Counter In A Small Town de Pearl Jam :)

Para curtir por aqui durante toda a semana!

 

Shooter, a.k.a "O Eterno Rebelde"

October 22, 2006

Uma Palavra…

Filed under: Estados de alma

Falls Embrace by Lauri Blank

Uma palavra. Disse-a. Amo-te - uma palavra breve. Quantos milhões de palavras eu disse durante a vida. E ouvi. E pensei. Tudo se desfez. Palavras sem inteira significação em si, o professor devia ter razão. Palavras que remetiam umas para as outras e se encostavam umas às outras para se aguentarem na sua rede aérea de sons. Mas houve uma palavra - meu Deus. Uma palavra que eu disse e repercutiu em ti, palavra cheia, quente de sangue, palavra vinda das vísceras, da minha vida inteira, do universo que nela se conglomerava, palavra total. Todas as outras palavras estavam a mais e dispensavam-se e eram uma articulação ridícula de sons e mobilizavam apenas a parte mecânica de mim, a parte frágil e vã. Palavra absoluta no entendimento profundo do meu olhar no teu, palavra infinita como o verbo divino. Recordo-a agora - onde está? Como se desfez? Ou não desfez mas se alterou e resfriou e absorveu apenas a fracção de mim onde estava a ternura triste, o conforto humilde, a compaixão. Não haverá então uma palavra que perdure e me exprima todo para a vida inteira? E não deixe de mim um recanto oculto que não venha à sua chamada e vibre nela desde os mais finos filamentos de si? Uma palavra. Recupero-a agora na minha imaginação doente. Amo-te. Na intimidade exclusiva e ciumenta do nosso olhar mútuo e encantado. Fecha-nos o lençol na claridade difusa do amanhecer, estás perto de mim no intocável da tua doçura. Frágil de névoa. Fímbria de sorriso e de receio, de pavor, no meu olhar embevecido. Uma palavra. A primeira que em toda a minha vida me esgotou o ser. A que foi tão completa e absorvente, que tudo o mais foi um excesso na criação. Deus esgotou em mim, na minha boca, todo o prodígio do seu poder. Ao princípio era a palavra. Eu a soube. E nada mais houve depois dela.

Vergílio Ferreira, in ‘Para Sempre’

 

Tudo teria sido mais fácil se não tivéssemos deixado passar tanto tempo… Para ambos…

Ficou a palavra, tantas vezes ouvida, tantas vezes proferida…

    Glycerine

    Bush - Sixteen Stone

Shooter

Nameless

Filed under: Estados de alma

Sentir aquilo que apenas podemos não saber. Soube-o hoje. Soube-o ontem. Soube-o sempre.

Passado. Memórias remanescentes como a chama de uma vela que lentamente se apaga.

Dark Shot

October 18, 2006

“O que é nacional é bom”

Filed under: Som da semana

Ora bem, dia de nova música. Como não costuma passar muito som nacional aqui no spot, a minha escolha para esta semana recai em Pluto. Muito bom sem dúvida, mas não se comparam aos Ornatos Violeta. Ficamos a perder… é a vida. De qualquer modo o objectivo é ajudar na divulgação do som nacional, tal como podem ver no cartoon em baixo.

Boa semana a todos e tudo a ouvir música nacional.

in Académico (jornal da Associação da mui nobre Universidade do Minho)

Dark Shot

PS: Os autores do blog avisam que nesta coisa de música nacional não se encontra englobada a dita "pimba". Isso é música estrangeira… Fica a nota!

October 17, 2006

One Morning Dream

Filed under: Estados de alma

David R. Darrow, "Nude, Reclining"

Num ritmo descontrolado ele vive naquele momento, o coração bate.  O ar escapa-se em cada momento e respiração ofegante se torna. Sentimo-nos como se o próprio ar queimasse os pulmões.

O sangue agita-se e corre desenfreado pelas veias, parecendo electricidade a percorrer todos os sentidos. Sentimos calor, o corpo exala um sentimento. Respiramos, transpiramos, sentimos. O corpo perde as forças num único momento e estremece com o contorcer dos músculos e de repente…

De repente, libertamo-nos do mundo terreno, do mundo dos sentidos, das palavras, dos sons, das vivências. Encontramo-nos num outro plano, noutra dimensão.

Perdemos lucidez e desligamos o consciente, não sabemos o que pensar, simplesmente deixamos de seguir a lógica do raciocínio. Ainda assim…

Apercebemo-nos do que estamos a sentir, do que vivenciamos e simplesmente ficamos maravilhados com a reacção que nós temos, com o modo como o nosso corpo responde a algo que até aquele momento tão único, tão simples, mas tão avassalador não sabíamos que nos dizia tanto.

Dark Shot

Angel, Collected, Massive Attack

October 10, 2006

Fell On Black Days

Whatsoever I’ve feared has
Come to life
Whatsoever I’ve fought off
Became my life
Just when everyday
Seemed to greet
Me with a smile
Sunspots have faded
And now I’m doing time
Cause I fell on
Black days

Whomsoever I’ve cured
I’ve sickened now
Whomsoever I’ve cradled
I’ve put you down
I’m a search light soul
They say but I can’t
See it in the night
I’m only faking
When I get it right
Cause I fell on
Black days
How would I know
That this could be my fate

So what you wanted to
See good has made you blind
And what you wanted to
Be yours has made it
Mine
So don’t you lock up
Something that you
Wanted to see fly
Hands are for shaking
No not tying

I sure don’t
Mind a change
But I fell on black
Days
How would I know
That this could be
My fate

Fell On Black Days - Soundgarden

 

A escolha era óbvia para esta semana, depois de um reencontro com dias negros…

 

Shooter

October 9, 2006

Para lá de quaisquer dúvidas…

Filed under: Estados de alma

Kiss by Boris Vallejo

"Dê-me o benefício das suas convicções, se as tiver, mas guarde para si as dúvidas. Bastam-me as que tenho ", Johann Goethe

Longa foi a troca de palavras. A mais longa desde há muito, desde muito antes de seguirem rumos diferentes.
Um simples convite para um café à beira da praia num princípio de tarde de sábado, rapidamente se transformou numa conversa de mais de 6h. Das conversas mais profundas em quase 2 anos de relação…
O culpado do rumo que a conversa seguiu foi só um. Mas era algo inevitável, e que vinha sendo adiado há muito tempo. Há demasiado tempo, pensava ele…
No meio das palavras trocadas, muitas delas já debaixo do olhar da lua (que luar aquele que os iluminava!), houve ainda um longo abraço, seguido de um beijo…
O culpado voltou a ser o mesmo…
Entrou no carro com tantas certezas quantas as que a longa conversa, o abraço e o beijo lhe podiam dar…
Estava bem com a sua consciência, com as suas acções, com o impulso que tinha seguido, e disposto a fechar ali o ciclo. De vez…
Foi então que algo de inesperado aconteceu. Um beijo, seguido da frase mais ambígua que ele poderia escutar naquele momento.
Um acto que ela não soube explicar. Uma vontade demasiado forte para conter, um impulso que teve de seguir. E mais não disse…
Tantas dúvidas, de ambas as partes, vieram alimentar ainda mais as suas próprias dúvidas…
No final da noite, e para lá de quaisquer dúvidas, só mesmo uma certeza: estava preparado para tudo, menos para aquele beijo…

    Utopia (New Ears Mix)

    Goldfrapp - Café Del Mar Vol. 8

Shooter

October 4, 2006

One single moment, we…

Porquê? Deixarmos chegar até aqui… não nos valeu de nada. Afastamo-nos mutuamente. Esquecemos o passado, o que ele tinha significado e fomos seguindo caminhos cada vez mais distantes. E agora?

Teremos nós ainda algo a reaver? Sinceramente não sei. Nuns momentos sinto-me tão certo do que penso e das decisões que tomo… para depois mais tarde ver que afinal estava errado.

Porque é que teve de ser assim? Afinal, o que se passou foi mais do que um momento… foi uma marca que ficou e que nunca irá sarar.

When you try your best, but you don’t succeed
When you get what you want, but not what you need
When you feel so tired, but you can’t sleep
Stuck in reverse
When the tears come streaming down your face
When you lose something you can’t replace
When you love someone, but it goes to waste
Could it be worse?

Lights will guide you home
And ignite your bones
And I will try to fix you

High up above or down below
When you’re too in love to let it go
If you never try you’ll never know
Just what you’re worth

Lights will guide you home
And ignite your bones
And I will try to fix you

Tears stream down your face
When you lose something you cannot replace
Tears stream down your face
And I…

Tears stream down on your face
I promise you I will learn from the mistakes
Tears stream down your face
And I…

Lights will guide you home
And ignite your bones
And I will try to fix you

Fix You, X&Y, Coldplay

Dark Shot

October 3, 2006

Can Our Love…

Filed under: Estados de alma

Foto de desconhecido

" Sometimes we see that our love can change
And I don’t know why
But it’s not enough to change our hearts "

Tindersticks - Can Our love…

 

"Que tal hoje irmos comer qualquer coisa, falar, matar saudades…?"

O convite surgiu de forma inesperada, tão pouco adequada às circunstâncias actuais. Hesitou. "Será mesmo boa ideia?". Acabou por aceitar…

O telefone tocou. Ela já o esperava lá fora com um sorriso. Aquele sorriso que tantas vezes já tinha visto. Aquele sorriso que era só seu… Nesse momento a chuva começou a cair…

Seguiram juntos debaixo de chuva intensa no curto percurso até ao local que ele havia escolhido para a partilha de tal conversa. Relembrou momentos que passaram juntos à chuva, aqueles longos cabelos molhados, aqueles beijos… Lembrança já longínqua essa… Chegados ao local, ouviam-se blues e jazz. Guitarra, baixo e trompete sustenido. Muito ao seu gosto. Lá fora, o dilúvio continuava… Mas ali sentia todo o conforto que necessitava naquele momento.

A conversa seguia, sem grandes pressas, embalada pela excelente música que os transportava para outros locais, muito, muito longe desta cidade. Olhou-a nos olhos e viu um brilho que julgava há muito desaparecido. Afinal parecia ainda estar lá… Algo parecia ter mudado desde a última vez que a vira. Aquele sorriso, aquele brilho nos olhos, o convite… Caminhos separados que se voltavam a encontrar, ainda que por breves instantes… Mas não foi o suficiente…

Por fim abandonaram o local. Sentiu o seu beijo na face, o seu perfume, os seus longos cabelos, e aquela vontade quase incontrolável de a beijar como fazia. Porém não o fez. Despediram-se e seguiram, de novo, caminhos separados.

Ele com mais dúvidas que certezas. E ela…

    Can Our Love…

    Tindersticks - Can Our Love…

 

Shooter

October 1, 2006

O Amor é (mesmo) um Lugar Estranho

Charlotte: 25 years. That’s uh, well it’s impressive.

Bob: Well you figure, you sleep one-third of your life, that knocks out eight years of marriage right there. So you’re, y’know, down to 16 in change. You know you’re just a teenager, at marriage, you can drive it but there’s still the occasional accident.

in "Lost In Translation" (2003), a.k.a "O Amor é um Lugar Estranho"

 

Dois estranhos encontram-se por um mero acaso num país estranho.

Passados muito diferentes, gerações separados por vários anos, um úníco ponto em comum: a busca da paz interior e da felicidade que não encontravam nas suas relações.

Dois casamentos à beira da ruptura. O dela com apenas 2 anos, o dele já com 25. Relações vazias de significado…

É mais um dos filmes da minha vida. Foi realizado por Sofia Coppola (a mesma de "The Virgin Suicides"). Conta com um Bill Murray inspiradíssimo e no melhor da sua carreira ("Broken Flowers" veio confirmar isso mesmo) e uma Scarlett Johansson lindísima, na altura (quase) desconhecida e em plena ascensão.

Fica a sugestão da sala de 8mm num formato quase 3 em 1 (Lost In Translation, The Virgin Suicides, Broken Flowers ).

    Girls

    Death In Vegas - Lost In Translation OST

Shooter

PS: o que disse Bob no final a Charlotte? Aceitam-se sugestões ;)