August 21, 2006

Escuridão

Filed under: Estados de alma

Foto de Lupan59 - Monumento na marina de Oeiras

"Este livro. Passa um dedo pela página, sente o papel como se sentisses a pele do meu corpo, o meu rosto.

Este livro tem palavras. Esquece as palavras por momentos. O que temos para dizer não pode ser dito.

Sente o peso deste livro. O peso da minha mão sobre a tua. Damos as mãos quando seguras este livro.

Não me perguntes quem sou. Não me perguntas nada. Eu não sei responder a todas as perguntas do mundo.

Pousa os lábios sobre a página. Pousa os lábios sobre o papel. Devagar, muito devagar. Vamos beijar-nos."

José Luís Peixoto em A Casa, A Escuridão

Dark Shot

8 divagações »

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  1. …ou seja, o que o José Luís Peixoto queria mesmo dizer(escrever) com todas essas palavras, era: Pssshh, cala-te e beija-me!
    eheheeheh
    Abraço

    Comment by João — August 21, 2006 @ 4:27 pm

  2. João:

    De facto, disse-o (escreveu-o) de forma excepcional.

    Mas…

    foi apenas um sonho, um devaneio… acordando para a realidade, deixamos de ser livro, de ser palavras. Passamos a ser recordação, ilusão. Passamos a ser algo escondido nos recantos de uma memória perdida pelos segundos que se escoam por entre os dedos das mãos, lembrado apenas naqueles momentos em que se encontra sozinha e vive os segredos.

    Abraço

    Comment by Dark Shot — August 22, 2006 @ 6:19 am

  3. O que somos nós senão mais um Livro largado ao acaso num universo de tantos sopros de vida….
    Um Livro repleto de folhas vazias…páginas que se escrevem ao longo do tempo…umas que se rasgam…algumas que se esquecem…outras que se guardam na esperança de se relerem momentos inesqueciveis…outras tantas nas quais palavras se escrevem com tinta invisivel aos olhos de muitos…segredos incontáveis repletos de sonhos por viver…

    Amei o excerto…adorei a imagem….
    Mil suspiros só para ti…*

    Comment by Suspiros — August 22, 2006 @ 2:10 pm

  4. Suspiros:

    Momentos… palavras… vontades… desejos… tudo impossível de esquecer. Tudo o que não existe. Sonhos vividos, que ficam adormecidos como uma paixão clandestina que existiu.

    Um beijo

    Comment by Dark Shot — August 22, 2006 @ 6:23 pm

  5. Belo trecho, lindissimo… vamos beijar-nos… o beijo é dos actos mais profundos do ser humano tanto quanto, por exemplo, um abraço… beijos especiais…

    Comment by Vampiria — August 23, 2006 @ 12:49 pm

  6. Vampíria:

    O beijo é para mim o acto mais íntimo que duas pessoas podem ter. Talvez porque é nele que tudo começa e é nele que tudo acaba.

    Um beijo

    Comment by Dark Shot — August 23, 2006 @ 1:32 pm

  7. È incrivel, mas ainda hoje estive com o livro “A casa, a escuridão” do José Luís Peixoto na mão e pensei em transcrever este mesmo poema para o meu blogue…parece que não fui a única…

    Comment by Cláudia Faro Santos — August 23, 2006 @ 8:35 pm

  8. Cláudia Faro Santos:

    De facto o livro é muito bom. E este poema é sublime.

    Obrigado pela visita. Bem vinda.

    Comment by Dark Shot — August 24, 2006 @ 2:08 am

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