June 11, 2006

Ausência

Filed under: Estados de alma

Foto de Celine

É na ausência que eu me perco, e que penso… mas a conclusão a que chego é sempre a mesma. Não tenho como fugir dela. E a verdade, é que não quero. Levo a minha vida pela noite dos dias, onde te encontro na sombra de um luar que tarda em aparecer.

Fossem palavras sinónimo do desejo e eu vivia na luz… fossem palavras o concretizar de um momento e eu parava o tempo. Fechava os olhos e via-te na penumbra da noite, onde eu vivo, onde levo parte de ti comigo.

Mas as palavras são sentidas, como se do toque de mãos se tratassem. E é nelas que te envolvo, nas letras que pronunciam o meu querer, a minha vontade. É com elas que sinto o que dentro de mim arde… é com elas que liberto os sentimentos em ti, os que dentro de mim habitam.

Fossem as palavras dedos que deslizam numa pele de veludo, e eu teria as imagens do desejo que na minha boca divagam.

Dark Shot

6 divagações »

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  1. Grande Post e grande som, atirador. ;)
    Ás vezes é dificil escolher entre o Dr. Jeckill e Mr. Hide que cada um de nós carrega, entre as trevas e a luz, entre a sensata escolha e o tentador disparate. É mesmo verdade que, por vezes, somos mesmo o maior inimigo de nós próprios.
    Abraço

    Comment by João — June 11, 2006 @ 6:16 pm

  2. João:

    Amigo, a única coisa que te posso dizer é que tu leste e interpretaste o post como ele é realmente. Por vezes é dificíl decidir entre que personagem devemos viver, penso que é impossível escolhermos apenas uma. Creio que vivemos a vida através dos dois.

    Talvez tenha muito de Mr. Hide. Não sei. O certo é que a escolha sensata por vezes não nos leva a lado nenhum. Por vezes é mesmo preciso seguir a tentação.

    Abraço

    Comment by Dark Shot — June 11, 2006 @ 10:57 pm

  3. Infelizmente todos sofremos deste mal, é algo que faz parte da condição humana, e não adianta tentar escapar… Eu, na minha maneira distorcida de ver a realidade, chamo-lhe síndrome “Tyler Durden” :)

    A verdade, é que na grande maioria das situações, atiramos sobre os nossos próprios pés. Por actos, palavras, e omissões…

    Ultimas palavras para o som: para quem não era ( e não é ) fã de Xutos, estás quase convertido ;)

    Abraço,

    Comment by Shooter — June 11, 2006 @ 11:09 pm

  4. Shooter:

    Jovem, pra te responder apenas com isto: não curto casinhas nem contentores… ;) mas isto sim, isto já é outro som!

    E sim, somos muito pródigos em dar tiros nos pés. Muito “Tyler Durden” mesmo.

    Abraço

    Comment by Dark Shot — June 11, 2006 @ 11:15 pm

  5. É na ausência que esse desejo se projecta na sombra da parede e te revela os contornos…linhas ténues que se dissolvem na luz da manhã.
    Mas o que é certo é que de nada nos valem os caminhos quando vivemos sem sentido. E por vezes, o segredo não está em encontrar respostas, está em encontrar-lhe o sentido.

    Dos teus melhores textos ;)

    Beijos*

    Comment by BloodyMary — June 12, 2006 @ 12:37 am

  6. BloodyMary:

    O desejo, é projectado num corpo delineado por linhas ténues, como carvão esbatido numa folha de branca de papel… por vezes viver sem sentido e apenas percorrer o caminho, é o que interessa.

    Como alguém me disse um dia, nós somos imprevisíveis, em nós tudo é imprevisível e se calhar o segredo não está em encontrar as respostas, não está em encontrar o sentido, está apenas no viver…

    Um beijo

    Comment by Dark Shot — June 12, 2006 @ 11:08 am

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